Fungo assassino de sapos invade Mata Atlântica
Como se os anfíbios da Mata Atlântica já não tivessem problemas suficientes, o fungo que está sendo considerado um dos principais responsáveis pelo desaparecimento de muitas espécies do grupo acaba de ser identificado em várias áreas do ecossistema mais ameaçado do Brasil.
Os dados, levantados por pesquisadores do Brasil e da Costa Rica ao analisar exemplares de sapos, rãs e pererecas preservados em museus, indicam que pelo menos cinco espécies da mata atlântica já estão contaminadas pelo fungo parasita Batrachochytrium dendrobatidis .
Embora peça cautela ao interpretar os resultados, Ana Carolina Carnaval, pesquisadora da Universidade da Califórnia em Berkeley que coordena o estudo, diz que se trata de "um alerta, um sinal amarelo". A urgência pode ser ainda maior quando se leva em conta que parece haver uma correlação entre o aquecimento global e a expansão do fungo pelo mundo. "Os dados disponíveis no Brasil são condizentes com a idéia da interação fungo-clima levando a declínios populacionais, ainda que não a comprovem", diz ela.
Há outros motivos para preocupação além da mera presença do parasita, que só foi achado no país pela primeira vez no ano passado, em Camanducaia (MG). Os espécimes infectados vieram de lugares tão distantes quando Pernambuco e o litoral de São Paulo e dos mais variados relevos, do nível do mar até montanhas com 2.400 m de altura. Portanto, podem ser apenas a ponta do iceberg --e isso num ecossistema que já perdeu 93% da área original e no qual 60% das mais de 450 espécies de anfíbios são endêmicas, ou seja, só podem ser achadas ali.
"Como precaução, eu colocaria todas as minhas fichas na proteção do que resta da mata atlântica. Nossos resultados só reforçam essa mensagem e mostram que a situação pode ser mais complicada do que imaginávamos até agora", alerta a pesquisadora.
Fonte: Folha de São Paulo
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