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Boletim 09
11 de Maio de 2005

Necessidade urgente de proteção

Somente cerca de 0,2% da área original da Floresta com Araucárias está sob a proteção de unidades de conservação (UCs), o que é insuficiente para garantir a conservação da biodiversidade desse ecossistema. Frente a esse cenário, finalmente, em 2002, o Governo Federal edita as Portarias 507 e 508, apontando áreas prioritárias no Paraná e Santa Catarina para fins de estudos e posterior criação de novas UCs de proteção às araucárias. Em 2003, o processo segue com a ministra Marina Silva, que cria o GT Araucárias Sul, com ampla participação dos setores interessados. Esse GT, cuja direção é exercida pela Secretaria de Biodiversidade e Florestas do MMA, foi encarregado de discutir ações para proteção e recuperação da Floresta com Araucárias e apontou as prioridades imediatas para sua conservação e recuperação.

A partir das áreas prioritárias definidas pelo GT, o Núcleo dos Biomas Mata Atlântica e Pampa, a Diretoria do Programa Nacional de Áreas Protegidas, da Secretaria de Biodiversidade e Florestas (MMA), a Diretoria de Ecossistemas do Ibama e as gerências estaduais desse órgão para os estados do Paraná e Santa Catarina constituíram a Força Tarefa das Araucárias, com o objetivo de definir as novas áreas de conservação. A Força Tarefa agregou também representantes de entidades de meio ambiente, especialistas de instituições públicas e ONGs. Foram 8 UCs propostas a partir dos estudos (além de corredores ecológicos para ligação dos fragmentos): 5 no Paraná (Parque Nacional dos Campos Gerais, Reserva Biológica das Araucárias, Refúgio da Vida Silvestre do Rio Tibagi, Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas e Reserva Biológica das Perobas) e 3 em Santa Catarina (Estação Ecológica da Mata Preta, Parque Nacional das Araucárias e Área de Proteção Ambiental das Araucárias). Ao todo, formam mais de 540 mil hectares de áreas protegidas. Em todas essas unidades, as terras privadas serão desapropriadas, salvo nos Refúgios de Vida Silvestre, onde as áreas particulares somente serão desapropriadas se as atividades exercidas forem incompatíveis com os objetivos da UC.

Em Santa Catarina, o total de áreas protegidas criadas até hoje corresponde a 2,6% do Estado. A criação das novas unidades que devem ser anunciadas durante a Semana da Mata Atlântica, poderá elevar essa porcentagem para 2,9%, um grande avanço de uma só vez, embora ainda esteja longe da meta internacional de proteção, fixada em 10% do território.

“A criação de UCs nesse caso é extremamente necessária e importante, mas não podemos esquecer que é uma medida paliativa, e que deve vir acompanhada de outras medidas de recuperação. É preciso articular centros de pesquisa e resgatar a biodiversidade, elaborar planos de manejo eficazes”, lembra João de Deus Medeiros. A criação das reservas é um primeiro passo, de acordo com Miriam Prochnow, para, em seguida, serem implementados projetos de manejo e recuperação do entorno dessas áreas, com o objetivo de ampliar as UCs ligando-as a outros fragmentos. Além disso, serão implementados projetos que trabalhem com a população local no sentido de promover consciência sobre a importância das UCs, como o incentivo ao ecoturismo e à educação ambiental.




Criada em 11/06/92 na ECO 92, a Rede de ONGs da Mata Atlântica tem como objetivo o intercâmbio de informações e a articulação entre as entidades que atuam em defesa da Mata Atlântica.
O boletim Últimas da Mata Atlântica é o veículo de comunicação da RMA.

Coordenação: Titulares: Apremavi/SC, Apromac/PR, Ecoa/MS, Gambá/BA, Gescq/PE, Os Verdes/RJ, Instituto Ambiental de Estudos e Assessoria/CE, Vidágua/SP, Proter/SP

Suplentes: Amigos da Terra/RS, Aprema/SC, Mater Natura/PR, Mopec/SE, Apan/PB, Getae/AL, Roda Viva/RJ, Coati Juréia/SP, Apoena/SP.

Secretaria Executiva: SCLN 210, bloco C, salas 207/208 CEP: 70862-530 Brasília - tel.:61-349-9162 e-mail: rma-bsb@uol.com.br

Jornalista Responsável: Sílvia Franz Marcuzzo Reg.Prof. 7551 MTb/RS
mailto:silvia.rma@terra.com.brtel.: 61. 32017017

*Os textos deste boletim podem ser utilizados, desde que citada a fonte.

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