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Boletim 09
11 de Maio de 2005


Milhões de árvores derrubadas

A abundância da araucária é, ironicamente, a razão da devastação sofrida por seu ecossistema desde as primeiras décadas do século XX: sua madeira, leve e sem falhas, é uma das prediletas do mercado e durante anos foi intensamente explorada. Calcula-se que entre 1930 e 1990, cerca de 100 milhões de pinheiros teriam sido derrubados, além do fato de, nas décadas de 50 e 60, ter figurado no topo da lista das exportações brasileiras. Atualmente, essa Floresta está em extinção: restam menos de 3% de sua área original, incluindo florestas exploradas e matas em regeneração. Menos de 1% guarda as características da floresta primitiva. No Paraná, restam apenas 0,8% de remanescentes em estágio avançado de recuperação, enquanto os remanescentes secundários e descontínuos somam somente 14,6%. Em Santa Catarina, esse percentual é mais baixo, 0,7%. No Rio Grande do Sul, é ainda mais drástico: praticamente não existem remanescentes que guardem as características originais, de acordo com João de Deus Medeiros, professor adjunto do Departamento de Botânica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Uma pesquisa realizada pela MQI, empresa do grupo Ibope, encomendada pela Nature Conservancy, mostra que paranaenses e catarinenses citam a exploração ilegal da madeira como a principal causa da destruição da Floresta com Araucárias. Contraditoriamente, porém, citam justamente a produção de madeira como um dos principais benefícios trazidos pela Floresta. A ambientalista Teresa Urban atribui o fato a uma resistência socioeconômica histórica nessas regiões, que teve parte do seu desenvolvimento no século XX impulsionado pelo comércio de madeira, principalmente o Paraná.

Ainda hoje a atividade madeireira ilegal prossegue na Floresta com Araucárias. O quadro é desanimador, se considerada também a pressão da fronteira agrícola e do reflorestamento com espécies exóticas (como não pertencem ao ambiente onde são introduzidas, essas espécies podem causar distúrbios e perda de biodiversidade no ecossistema onde se instalam), como o pinus e o eucalipto. Espécies de fauna e flora pertencentes à Floresta com Araucárias e campos associados (manchas de campos naturais remanescentes de alterações climáticas), como a gralha azul, o lobo guará, a imbuia e o xaxim, estão sob ameaça como resultado da exploração e desmatamento desse ecossistema.




Criada em 11/06/92 na ECO 92, a Rede de ONGs da Mata Atlântica tem como objetivo o intercâmbio de informações e a articulação entre as entidades que atuam em defesa da Mata Atlântica.
O boletim Últimas da Mata Atlântica é o veículo de comunicação da RMA.

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Jornalista Responsável: Sílvia Franz Marcuzzo Reg.Prof. 7551 MTb/RS
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