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Boletim 31
23 de novembro de 2005

Entrevista com a pioneira da sustentabilidade

Gro Harlem Brundtland tornou-se a primeira mulher eleita Primeira Ministra da Noruega em 1986. Depois de se destacar na gestão pública, foi Diretora-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 1998 a 2002 e presidiu a célebre Comissão Mundial sobre o Desenvolvimento e o Meio Ambiente, que ficou conhecida como a Comissão Brundtland. Liderou a elaboração dos conceitos políticos adotados até hoje como definição do desenvolvimento sustentável. O relatório final da Comissão, “Our Common Future”, publicado em 1987, serviu como base para a realização da Eco92 no Rio de Janeiro, e para a criação da “Agenda 21” pela ONU.

Em 2003, foi reconhecida pela revista Scientific American como “Líder do Ano” por seu trabalho na elaboração de uma estratégia mundial de combate ao SARS. Em 2004, foi incluída pelo jornal britânico Financial Times entre as quatro personalidades européias mais influentes dos últimos 25 anos, juntamente com o Papa João Paulo II, Mikhail Gorbachev e Margaret Thatcher.

Mais de 20 anos depois da reunião da Comissão Brundtland, a senhora ainda se considera otimista em relação ao futuro do mundo?

Gro – Percebo que muitas coisas precisariam ter soluções e medidas mais rápidas. O processo de mudança leva tempo e sinto que estamos indo na direção certa, mas há problemas sérios como as questões da energia e das mudanças climáticas que estão em planos muito vagarosos. O uso de energia é um dos problemas mais cruciais causados pelo desenvolvimento econômico e as atitudes que podem controlar este consumo estão seguindo muito mais devagar do que precisariam ir.

A senhora disse que as pessoas, em qualquer lugar, precisam ser educadas para saber o que está acontecendo e o que podem fazer para que a situação seja diferente. Qual sua mensagem, então, para as organizações não-governamentais que atuam na Mata Atlântica brasileira?

Gro – Eu precisaria ser uma especialista em Brasil para responder a isso, mas há questões que valem para qualquer lugar do mundo. O segredo é olhar para as coisas que precisam ser mudadas. Mobilizar um grupo com o qual você consegue ser visto e ouvido para então iniciar a prática. Em todo lugar do mundo, algo com significado pode e deve ser feito.

Fonte: SOS Mata Atlântica

 

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