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Boletim 30
9 de novembro 2005


Agrotóxicos podem afetar 4 gerações

Pesquisa da Washington State University revela que toxinas ambientais produzidas pelo homem podem alterar a atividade genética, permitindo o surgimento de doenças que são transmitidas por pelo menos quatro gerações. A equipe de cientistas teve evidências de que algumas doenças hereditárias podem ser causadas por venenos que poluem o útero.

Hormônio

Os cientistas expuseram duas ratazanas grávidas a agrotóxicos durante o período em que o sexo dos fetos estava sendo determinado. Elas produziram filhos do sexo masculino com baixa contagem de esperma e fertilidade fraca.

Quando esses ratos foram cruzados com fêmeas que não tinham sido expostas às toxinas, ainda assim seus descendentes do sexo masculino apresentaram o mesmo problema. O efeito persistiu em pelo menos quatro gerações, prejudicando a fertilidade de mais de 90% dos machos de cada geração.

Os produtos químicos usados na experiência foram vinclozolin, fungicida muito comum em vinhedos, e o pesticida methoxyclor. Os dois são conhecidos como produtos químicos que interferem no funcionamento normal dos hormônios reprodutivos. Os níveis de produtos químicos a que os ratos foram expostos foram elevados, muito mais altos do que as pessoas enfrentam normalmente.

Os pesquisadores constataram que o dano não foi causado por alterações no código do DNA, mas por alterações na forma como os genes operam. Essas mudanças "epigenéticas" são provocadas por partículas químicas que aderem ao DNA, modificando sua atividade. Essas alterações já eram conhecidas, mas não se sabia que eram transmitidas às futuras gerações.

Câncer

O pesquisador chefe, Michael Skinner, acredita que elas podem contribuir para doenças como câncer de seio e de próstata.As duas doenças estão se tornando mais comuns e Skinner diz que isso não é devido apenas a mutações genéticas.

Os pesquisadores acreditam que a exposição a toxinas ambientais pode ter um papel importante no processo evolucionário. Essa evolução pode não ser provocada integralmente por mutações genéticas, como era comum acreditar."É uma nova forma de pensar sobre a doença", disse Skinner."Acreditamos que esse fenômeno será um fator importante para entender como a doença se desenvolve." Para ele é necessário pesquisar mais para reforçar essas constatações.

O professor Alan Boobis, toxicologista do Imperial College London, disse à BBC que os dados são interessantes, mas não há necessidade de as pessoas ficarem assustadas. "Precisamos descobrir se esse efeito transgeracional se traduz em doses muito mais baixas."

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/story/2005/06/050603_toxicocc.shtml


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