Muriqui translocada no Espírito Santo passa bem
*Fernanda Couzemenco
Passa bem a jovem muriqui ( Brachyteles hypoxanthus ) Renata, que foi transferida de seu fragmento florestal natal para um outro, a cerca de 10 km de distância, no município de Santa Maria de Jetibá, região serrana do Espírito Santo. A experiência, chamada de “translocação”, foi realizada no dia 28 de outubro por pesquisadores do Projeto Muriqui, do Instituto de Pesquisas da Mata Atlântica (IPEMA). É o primeiro caso de translocação de muriqui que se tem registro.
O objetivo é ajudar Renata a se reproduzir. Com cerca de seis anos de idade, ela é uma das três “fêmeas isoladas”, identificadas pela equipe de campo do Projeto. O isolamento é conseqüência da fragmentação da floresta: quando atingem a idade reprodutiva, as fêmeas de muriqui – e não os machos, como acontecem entre outros símios – precisam encontrar um outro grupo para procriarem, possivelmente uma estratégia natural para evitar a consangüinidade. Mas, sem poder atravessar as pastagens e lavouras que cercam a pequena mata onde vivem, elas continuam no fragmento, se afastam do grupo e passam a viver sozinhas.
Renata recebeu um rádio-colar e será monitorada durante os próximos seis meses. Espera-se que, nesse período, ela seja definitivamente aceita no novo grupo, que tem quatro machos adultos e duas fêmeas adultas.
Por enquanto, segundo o coordenador do Projeto Muriqui, zoólogo Sérgio Lucena Mendes, ela está se alimentando satisfatoriamente e já estabeleceu algumas interações, apesar de, aparentemente, as fêmeas não terem gostado nada da nova integrante. “Mas esperamos que Renata saiba quebrar essa resistência. Afinal, na sociedade dos muriquis, tudo é quase sempre ‘paz e amor'”, brinca Sérgio, confiante. Se tudo continuar correndo bem, a expectativa é de que ela tenha sua primeira cria dentro de poucos anos.
O sucesso da experiência é um alento para a conservação da espécie, que é endêmica da Mata Atlântica brasileira e considerada uma das 25 mais ameaçadas do mundo. Estima-se a população total em menos de mil indivíduos viventes na natureza, em fragmentos florestais do Espírito Santo e Minas Gerais.
* Fernanda Couzemenco, especial para o Últimas da Mata Atlântica
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