caso não esteja visualizando clique aqui

Boletim 30
9 de novembro 2005


Muriqui translocada no Espírito Santo passa bem

*Fernanda Couzemenco

Passa bem a jovem muriqui ( Brachyteles hypoxanthus ) Renata, que foi transferida de seu fragmento florestal natal para um outro, a cerca de 10 km de distância, no município de Santa Maria de Jetibá, região serrana do Espírito Santo. A experiência, chamada de “translocação”, foi realizada no dia 28 de outubro por pesquisadores do Projeto Muriqui, do Instituto de Pesquisas da Mata Atlântica (IPEMA). É o primeiro caso de translocação de muriqui que se tem registro.

O objetivo é ajudar Renata a se reproduzir. Com cerca de seis anos de idade, ela é uma das três “fêmeas isoladas”, identificadas pela equipe de campo do Projeto. O isolamento é conseqüência da fragmentação da floresta: quando atingem a idade reprodutiva, as fêmeas de muriqui – e não os machos, como acontecem entre outros símios – precisam encontrar um outro grupo para procriarem, possivelmente uma estratégia natural para evitar a consangüinidade. Mas, sem poder atravessar as pastagens e lavouras que cercam a pequena mata onde vivem, elas continuam no fragmento, se afastam do grupo e passam a viver sozinhas.

Renata recebeu um rádio-colar e será monitorada durante os próximos seis meses. Espera-se que, nesse período, ela seja definitivamente aceita no novo grupo, que tem quatro machos adultos e duas fêmeas adultas.

Por enquanto, segundo o coordenador do Projeto Muriqui, zoólogo Sérgio Lucena Mendes, ela está se alimentando satisfatoriamente e já estabeleceu algumas interações, apesar de, aparentemente, as fêmeas não terem gostado nada da nova integrante. “Mas esperamos que Renata saiba quebrar essa resistência. Afinal, na sociedade dos muriquis, tudo é quase sempre ‘paz e amor'”, brinca Sérgio, confiante. Se tudo continuar correndo bem, a expectativa é de que ela tenha sua primeira cria dentro de poucos anos.

O sucesso da experiência é um alento para a conservação da espécie, que é endêmica da Mata Atlântica brasileira e considerada uma das 25 mais ameaçadas do mundo. Estima-se a população total em menos de mil indivíduos viventes na natureza, em fragmentos florestais do Espírito Santo e Minas Gerais.

* Fernanda Couzemenco, especial para o Últimas da Mata Atlântica


Criada em 11/06/92 na ECO 92, a Rede de ONGs da Mata Atlântica tem como objetivo o intercâmbio de informações e a articulação entre as entidades que atuam em defesa da Mata Atlântica.
O boletim Últimas da Mata Atlântica é o veículo de comunicação da RMA.

Coordenação eleita na última assembléia: Titulares: Apremavi/SC, Apromac/PR, Associação Serras Úmidas/CE, Gambá/BA, Mopec/SE, NAT/RS, Os Verdes/RJ, Vidágua/SP, Proter/SP

Suplentes: Assecan/RS, Cepedes/BA, Ecoa/MS, Gescq/PE, Ipema/ES, ISMECN/MG, Roda Viva/RJ, STV/RN, Terra Mater/PR

Secretário Executivo: Bruno de Amorim Maciel
SCLN 210, bloco C, salas 207/208 CEP: 70862-530 Brasília - tel.:61-349-9162
e-mail: bruno.rma@terra.com.br ; eliana.rma@terra.com.br ;
carlos.rma@terra.com.br

Jornalista Responsável: Sílvia Franz Marcuzzo Reg.Prof. 7551 MTb/RS
mailto:silvia.rma@terra.com.br tel.: 61. 32017017

Estagiária de Jornalismo: Alice Watson


*Os textos deste boletim podem ser utilizados, desde que citada a fonte.

clique aqui e acesse nosso site