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* Por Fernanda Couzemenco Destacar as espécies animais é uma das melhores formas de vender espaço ao editor (provavelmente também de vender jornal e revista) e de sensibilizar a população para a conservação da biodiversidade. Essa é uma das conclusões apresentadas pelo jornalista Haroldo Castro, vice-presidente de Comunicação Global da Conservação Internacional (CI), após análise de sete edições do Prêmio de Reportagem sobre Biodiversidade, considerado um dos mais importantes concursos jornalísticos voltados à cobertura ambiental. A apresentação foi feita durante o seminário Jornalismo para o Desenvolvimento, no I Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, em outubro, em Santos. As espécies animais, especialmente as ameaçadas, aparecem como tema central em 14,9% dos 999 artigos impressos analisados (no total, foram 1.323 inscritos) e em 21,6% dos 139 artigos finalistas, entre 1999 e 2005. Em segundo lugar aparece o tema Áreas Protegidas, destaque em 14% dos artigos inscritos e em 12,9% dos finalistas. Em terceiro lugar empatam Ecossistemas e Alternativas Econômicas, cada um representando 11,3% dos artigos impressos escritos. Juntos, os quatro temas representam 51,6% do total. Outros temas recorrentes são águas, rios e ecossistema marinho; e turismo & aventura. No Brasil, o trio Espécies Animais + Áreas Protegidas + Ecossistemas também encabeça a lista dos mais abordados. No entanto, Fauna fica em terceiro lugar entre os inscritos (16% do total) e em segundo lugar entre os finalistas (17,6% do total). Ecossistemas, que é o segundo tema mais freqüente entre os inscritos (17%), sobe para o primeiro lugar na lista dos finalistas (35%). Finalmente, áreas protegidas, que é o campeão entre os inscritos (19%), cai para terceiro lugar entre os finalistas (14,7%). O trio é responsável por 52,2% dos artigos inscritos e 67,6% dos finalistas. Os temas menos abordados são: questão indígena, infra-estrutura e educação ambiental. Os 999 artigos analisados foram agrupados ainda segundo três ângulos de abordagem: Informação (45,14% do total), Denúncia (33,43%) e Solução (21,42%). O ângulo Informação também foi campeão no Brasil (54,2% dos inscritos e 55,9% dos finalistas) e na Colômbia (54,2% dos inscritos e 45,9% dos finalistas). Na Bolívia e no Peru, no entanto, a Denúncia foi a abordagem escolhida em 60% e 77% das matérias finalistas, respectivamente. Bolívia e Peru também fazem dobradinha como os países em que os meios de comunicação inscritos estão mais concentrados nas capitais (63,6% e 59,4%, respectivamente). Brasil e Colômbia também aparecem juntos nessa análise, mas, ao contrário, como destaques de países em que as matérias estão mais descentralizadas. No Brasil, 43% dos meios de comunicação inscritos estão fora do eixo Rio-SP. Os veículos paulistas e fluminenses, no entanto, correspondem a 66,7% dos finalistas. Na análise de gênero, foi considerado um universo de 397 jornalistas inscritos, em sete edições, em quatro países. Os homens representam 54%, desse total, contra 46% de mulheres. A liderança masculina é ainda maior no Peru (63% do total de inscritos). O maior número proporcional de mulheres ocorreu na Bolívia (50,6%) e o maior equilíbrio entre os inscritos se deu no Brasil, com 51% de homens e 49% de mulheres. Mas entre os finalistas, os homens ganham com ainda mais folga. Destaque para o Peru (73%) e Brasil (56%). O Prêmio de Reportagem sobre a Biodiversidade é realizado desde 1999 pela CI, em parceria com o Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ), a Federação Internacional de Jornalistas Ambientais (IFEJ) e, desde 2005, parceria também com a Fundación Biodiversidad (Ministério do Meio Ambiente da Espanha). Os objetivos são estimular o trabalho dos jornalistas que cobrem meio ambiente nos países ricos em biodiversidade, reconhecer o papel dos órgãos de comunicação que investem recursos na cobertura ambiental, contribuir com o crescimento profissional dos jornalistas ambientais, incentivar a quantidade e a qualidade das reportagens. No Brasil ele é realizado desde 2001 pela Aliança para a Conservação da Mata Atlântica, uma parceria entre as ONgs CI-Brasil e S.O.S Mata Atlântica. Em cinco edições impressas, foram analisados 252 artigos de 159 jornalistas, publicados em 77 meios de comunicação. Trinta e quatro jornalistas foram finalistas e cinco levaram o primeiro lugar, viajando para algum congresso mundial ligado à conservação ambiental. Este ano, o Prêmio teve oito categorias impressas – Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Madagascar, Peru e Venezuela – além das categorias Regional Andes e Brasil TV. Foram inscritas 409 reportagens, de 232 jornalistas, publicadas em 122 meios (impresso e TV). Os vencedores participaram da Cúpula Internacional de Mídia e Meio Ambiente, entre os dias 30 de novembro e 02 de dezembro em Kuching, capital de Sarawak, na Ilha de Bornéu, Malásia. As inscrições para o concurso 2006 serão abertas em janeiro. Mais informações: www.premioreportagem.org.br . * Fernanda Couzemenco, especial para o Últimas da Mata Atlântica
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