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Nota das ONGs sobre a Agressão a Secretário do GTA
O que deveria ser um seminário para discussão sobre desmatamento e desenvolvimento sustentável, do sul do estado do Amazonas, com a presença do governador do Amazonas e da ministra de meio ambiente, além de secretários, parlamentares, prefeitos, juízes, promotores e representantes da sociedade civil organizada, tornou-se quinta-feira (11/08) cenário de covarde agressão ao secretário geral da rede Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Adilson Vieira, pelo secretário de Produção e Abastecimento do município de
Humaitá, Sérgio Colares.
A agressão ocorreu à tarde no auditório da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), que sediou o seminário organizado pela Secretaria de Desenvolvimento Sustentável (SDS) do estado, e foi testemunhada por grande parte dos presentes ao evento.
De acordo com o programa distribuído pelos organizadores, o seminário se destinava a debater medidas para conter o desmatamento no sul do Estado. Mas, na prática, se tornou uma cerimônia de assinatura de atos e decretos pelo governo do Estado, antes mesmo das discussões, para insatisfação de muitos presentes.
Esse clima de insatisfação norteou a fala de Adilson ao plenário. Em sua intervenção, o secretário do GTA criticou a falta de transparência e participação social no projeto de pavimentação da rodovia BR-319 (Manaus - Porto Velho), que havia sido entregue, na abertura do seminário, pelo governador Eduardo Braga à ministra Marina Silva.
Após sua fala, Adilson foi cercado e ofendido por mais de uma dezena de fazendeiros do sul do estado, e que formavam uma claque de apoio à pavimentação da estrada. O secretário da Prefeitura de Humaitá Sérgio Colares, integrante do grupo, ofendeu Adilson com palavras de baixo calão, e desferiu, por trás, um pontapé no secretário do GTA. O governador Eduardo Braga, a ministra Marina, o secretário de Florestas do MMA, João Paulo Capobianco, o prefeito de Manaus, Serafim Correia, entre outras autoridades que participaram do seminário, já haviam saído. O ato covarde foi registrado pela vítima na 4ª Delegacia de Polícia de Manaus.
O sul do Amazonas enfrenta sérios problemas de grilagem, desmatamento ilegal e violência como resultado da chegada de especuladores e plantadores de soja à região, muitos vindos do Mato Grosso, Rondônia e estados do sul e sudeste do país. Os bem-vestidos fazendeiros que participaram do seminário chegaram ao prédio da UEA em pickups de cabine dupla, algumas com placas de Brasília e do Paraná. Pela manhã eles haviam colocado 14 faixas na entrada do prédio da UEA onde o seminário foi realizado, atacando o Ibama, o Incra, a Justiça e as ONGs.
O clima de radicalização que deu origem à agressão começou com um agressivo discurso do prefeito de Maués (também presidente da Associação dos municípios do Amazonas) em defesa do 'desenvolvimento'. O discurso foi fortemente aplaudido pelos fazendeiros, que reagiram com desdém ao discurso da ministra Marina sobre a necessidade de adequar iniciativas de crescimento com defesa do patrimônio ambiental. O governador Eduardo Braga, depois de chamar Marina de "minha irmã mais velha" e apoiar o desenvolvimento
sustentável, mudou de rumo e num discurso inflamado, dirigido para a platéia de sojeiros e prefeitos, fez uma veemente defesa dos interesses dos fazendeiros do sul do estado, segundo ele "34 famílias de brasileiros que querem produzir e viver". Braga defendeu o uso dos campos naturais e das savanas da região para uso agrícola e a pavimentação da BR-319. Essa estrada, cuja recuperação foi declarada como prioritária pelo Ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, se tornou um campo de batalha judicial e política. A Ministra Marina Silva já havia manifestado sua opinião de que as obras que estão sendo tocadas pelo Ministério dos Transportes exigem análises de impacto sócio-ambiental. Alfredo Nascimento, ex-prefeito de Manaus, pretende ser candidato nas próximas eleições.
Em função dos fatos descritos, as organizações da sociedade civil abaixo assinadas vêm a público repudiar a agressão sofrida pelo secretário do GTA e condenar a forma como foi conduzido o seminário pelo governo do Amazonas. É ainda mais inaceitável o fato de que esse ato de violência tenha ocorrido num prédio público do governo estadual e durante um evento oficial. O ataque ao representante de mais de 600 organizações não governamentais da Amazônia brasileira não pode ficar impune e exige, do governador Eduardo Braga uma
condenação imediata e um pedido público de desculpas.
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