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Boletim 18
20 de julho de 2005


Pássaros levam poluição ao Ártico,
afirmam pesquisadores canadenses

A pesquisa está sendo publicada na revista Science. Trata-se de uma nova frente de ação para os grupos ambientalistas que fazem campanha contra o uso de substâncias químicas tóxicas. –Como elas, as indústrias, e as pessoas em geral têm o direito de usar essas substâncias quando elas acabam contaminando as regiões mais virgens do mundo?, perguntam-se os ecologistas.

Segundo a recente pesquisa, os níveis de uma importante classe de substâncias químicas tóxicas, como os policloretos de bifenilas (PCBs), estão três vezes superiores em comunidades indígenas do Canadá que vivem acima do Círculo Polar Ártico do que em residentes do temperado Quebec. Esta pesquisa é interessante porque ressalta a necessidade de prevenir a liberação de poluentes persistentes que podem se fixar em humanos e na vida selvagem.

Os PCBs são apenas um dos exemplos de poluentes orgânicos persistentes (POPs) – substâncias químicas que dificilmente se rompem por degradação natural e que se acumulam em organismos vivos. Outros exemplos de POPs são os pesticidas como o DDT, e múltiplas substâncias como o hexacloronenzeno (HCB).

A forma como essas substâncias terminam no Ártico não está ainda muito bem clara – presume-se que elas sejam transportadas por várias rotas, como partíulas do ar, ou através do mar, e talvez no corpo de espécies migratórias, como as de pássaros. Agora, um grupo liderado por Jules Blais, da Universidade de Ottawa, confirmou o envolvimento de uma espécie migratória de pássaros, nesse processo, a Fulmar do norte. –Estamos estudando a população de Fulmar do norte na Ilha de Devon, na região do Ártico do Canadá, especificamente em Cabo Vera, que é uma das mais setentrionais e isoladas colônias de Fulmar da América do Norte, disse o cientista à BBC News. Segundo ele, no local existe uma colônia de cerca de 10 mil pares, e os cientistas estão avaliando a distribuição de alguns deles quanto a portarem substâncias químicas como PCBs, mercúrio, DDT e outras persistentes e acumulativas no organismo. (BBC News, 15/7)

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