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Boletim 15
29 de junho de 2005


Balduíno Rambo

No século XX, mais ou menos na década de 1940 e no Brasil, dois gaúchos apontavam agressões graves contra a natureza: Henrique Luís Roessler e o padre Balduíno Rambo. Entre as acusações estavam os desmatamentos, incêndios e poluição de toda ordem.

Rambo, além de ser um dos poucos visionários da importância da proteção do meio ambiente, em sua época e no futuro, tinha uma capacidade de entendimento dos processos e caminhos que a natureza adota como nunca mais se viu na ciência. A descrição científica do Rio Grande do Sul, publicada em 1942 e reeditada em 1956 e 1994, é a única que menciona e destaca a necessidade de se valorizar e defender o patrimônio natural.

Depois de descrever e analisar a geografia, ele também menciona as agressões como o grande incêndio de 1951 nos Aparados da Serra. A descrição entusiástica do Itaimbezinho é o sintoma de um verdadeiro naturalista-ecologista, um registro emocionante:

Um monumento sem par se nos apresenta: é o Taimbezinho. É um recanto de beleza única. As araucárias avançando, ou melhor, avançavam até a borda, pois hoje, em 1955, três serrarias destruíram tudo”.

“Ali, nos mirantes mais altos do Rio Grande do Sul, com as forças milenares da erosão a trabalhar diante dos olhos, com os temerosos abismos dos canhões aos pés, com o pinhal, a mata branca e o campo, tão rio-grandenses, em derredor, com o oceano no horizonte, as gerações do futuro nos hão de agradecer a piedade e reverência, com que conservamos as mais grandiosas paisagens da nossa terra”.

Depois ele diz o que ninguém, até então, no Brasil, conseguira dizer:

Proteção à natureza, aos monumentos naturais, às espécies botânicas e zoológicas” , “harmonização das obras humanas com a paisagem natural” e a criação de “parques naturais” . No fim, acusa: “o mato rio-grandense está em grave perigo”.

Na série de cadernos “Paraísos Rio Grande do Sul”, da Gazeta Mercantil, em setembro de 1998, Marçal Klippel, antigo morador do Parque Nacional dos Aparados da Serra, assim resumiu a ação do P. Balduíno Rambo:

“Ele é quem fez a demarcação aqui, desceu um perau, ficou três dias lá e quase morreu. Quando saiu, foi acudido por um morador e desmaiou. Depois, deu parte e avisou que estavam devorando isso aqui. Vieram e tiraram as madeireiras” .

Fonte: Assecan, Pangea e Movimento Roessler

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Jornalista Responsável: Sílvia Franz Marcuzzo Reg.Prof. 7551 MTb/RS
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