Aproximadamente, a área total do Espírito Santo é de 4,618 milhões de hectares. Segundo o governo, só o setor agrícola produtivo ocupa 61,12% dela, equivalente a 2,822 milhões de hectares, dos quais 600 mil são de áreas degradadas.
Grande parte das regiões consideradas produtivas é formada por pastos e cafezais degradados de baixíssima produtividade. Na maioria dos casos, as terras, principalmente as degradadas, estão em vias de desertificação.
O governo ainda aponta essas áreas como adequadas para o plantio do eucalipto – espécie exótica no Brasil. Ele considera que os agricultores familiares também seriam potenciais parceiros. Entretanto, uma pesquisa realizada pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), em Santa Maria de Jetibá, mostra que o cultivo de eucalipto rende 25 vezes menos do que a produção agrícola na pequena propriedade.
A Aracruz Celulose é a empresa que tem as maiores extensões da espécie exótica no Espírito Santo. Assume possuir 252 mil hectares, com 133 mil dispersos no País. No balanço de 2004, a Aracruz também admitiu ter 71 mil hectares em parcerias, por meio do que ela chama de Programa Produtor Florestal, incorporando mais de três mil agricultores. Na conta, ainda não estão incluídos os 28 mil hectares do presente que o Governo Paulo Hartung deu à empresa, no ano passado, com o programa florestal do Estado.
Segundo Valmir Noventa, um dos coordenadores do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), no Estado, os dados divulgados pela multinacional são sempre maquiados: a empresa tem cerca de 240 mil hectares plantados com eucalipto somente no Espírito Santo, mesmo que diga o contrário. Destes, pelo menos 40% eram áreas de Mata Atlântica intocada ou em adiantado estado de recuperação.
Para realizar seus plantios, a Aracruz Celulose ilhou os poucos quilombolas que conseguiram resistir em suas propriedades, e também tomou terras dos índios e de pequenos agricultores. Os plantios reduziram os estoques de água na região norte capixaba e, com o emprego de venenos agrícolas, intoxica e mata gente, além de destruir a flora e a fauna.
Agora, com a proposta do governo do Estado, os danos ambientais sociais e econômicos produzidos pelo eucalipto no Espírito Santo poderão triplicar. Sequer consideram a possibilidade de empregar vegetação nativa – algumas espécies da Mata Atlântica crescem mais rápido do que o eucalipto.
- A luta dos movimentos sociais é mostrar à sociedade que a forma de usurpação da terra e os plantios gigantescos de eucalipto prejudicam a todos. O agronegócio é a falência da pequena propriedade, de onde sai os alimentos para a mesa do brasileiro, afirma Valmir Noventa.
A Aracruz Celulose teve lucro líquido de R$ 1,870 bilhão em 2003 e em 2004. Segundo cálculos do MPA divulgados em 2003, em 30 anos, a Aracruz Celulose recebeu favores do Governo Federal que totalizam R$ 13 bilhões. Neste período, todo o dinheiro aplicado em agricultura pelo Governo Federal do Espírito Santo totaliza apenas R$ 1,5 bilhão.
O controle acionário da Aracruz é exercido pelos grupos Safra, Lorentzen e Votorantim (28% do capital votante cada) e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES (12,5%). As ações preferenciais da empresa, perfazendo 56% do total do capital, são negociadas nas Bolsas de Valores de São Paulo, Nova York e Madri. Já a Veracel é parceria da Aracruz Celulose com a Stora Enso (cada uma com 50% do controle acionário).
Fonte: Século Diário