caso não esteja visualizando clique aqui

Boletim 10
25 de Maio de 2005

Em todos os eventos da Semana da Mata Atlântica, realizada de 18 a 22 de maio, em Campos do Jordão, circularam cerca de 500 pessoas. A maior parte especialistas ou ecologistas que debateram formas de gestão, propostas de proteção e muitos encaminhamentos para tentar salvar o que ainda resta do bioma.

A programação contou com palestras inovadoras, ações de mobilização e também diversão. Uma das atrações foi o concerto do violonista Yamandú Costa. Até mentalizações com exercício de respiração e sorteio rolaram no Encontro, um dos mais produtivos dos últimos tempos.

Esses e outros acontecimentos estão sendo contados na 10ª edição especial do boletim Últimas da Mata Atlântica.

Com relação ao layout do boletim, a RMA solicita a opinião dos leitores com relação as mudanças. Por favor, enviem suas sugestões o quanto antes, para que possamos trabalhá-las. O prazo máximo para envio de observação é até o dia 31 de maio.

 


 

Destaques desta edição

Apremavi é reeleita e Vidágua assume coordenação institucional

RMA tem mais 38 filiados

Corte de Pinus e meditação sensibilizam participantes

Manifestação silenciosa e marcante na abertura da Semana

 

 

Em Balaio

Festa agita alojamento

Campanha pelas UCs de SC e PR

 

 

 

Boletim Especial da Semana da Mata Atlântica

RMA reelege coordenação geral

No domingo, último dia da Semana da Mata Atlântica, foi eleita a nova coordenação da Rede de ONGs da Mata Atlântica.

A presidente da Apremavi, de SC, Miriam Prochnow, permanece na coordenação geral da instituição. Concorreram para a coordenação institucional Kláudio Cóffani Nunes, do Instituto Vidágua, SP, e Pedro Graça Aranha, do Movimento de Ecologia Social Os Verdes, RJ. Nunes foi o eleito. Aranha, conhecido como Pedrão, continua na coordenação, representando a Região Sudeste.

Confira nominata da nova coordenação e Conselho Fiscal

 

Semana da Mata Atlântica fortalece RMA

A Semana da Mata Atlântica reforça o trabalho que a Rede vem desenvolvendo. Esta é a avaliação de Miriam Prochnow, coordenadora geral da Rede de ONGs da Mata Atlântica, reeleita no último domingo durante o IX Encontro da Nacional da RMA.

O evento mostrou vários esforços que estão sendo realizados para preservação da Mata Atlântica. Mas apesar dos avanços, como a criação de novas UCs, há questões que precisam ter um novo encaminhamento, como o caso da construção da Usina Hidrelétrica de Barra Grande, que vai alagar uma extensa área de aproximadamente 5 mil hectares de floresta com araucária nativa e em estágio acelerado de regeneração. Clique aqui para saber mais

Cresce número de filiados à RMA

A assembléia da RMA aprovou novas filiações. Das 67 entidades que desejaram entrar na RMA, 38 foram aprovadas, isto é, apresentaram toda a documentação solicitada. Vinte nove ONGs ficaram na condição de pré-filiadas, têm 30 dias para mostrar os documentos que ainda faltam.

Confira as novas filiadas por Estado:

Assembléia da RMA aprova 20 moções

Moções de todos os tipos. Para preservação, gestão e conservação de espécies. Todas as moções apresentadas foram aprovadas pela assembléia. Elas serão enviadas para várias instâncias de representação do país, do presidente Lula à departamentos de prefeituras.

Confira abaixo o título das moções:

  1. Repúdio a situação das Unidades de Conservação no Rio Grande do Sul, RS
  2. Utilização da compostagem como meio de recuperação ambiental, RS
  3. Impacto de Barra Grande nas florestas do RS e SC
  4. UCs na Floresta com Araucária em SC
  5. Pela conservação da Raulinoa echinata , SC
  6. Ameaça a uma Área de mega biodiversidade na bacia do Rio Tibagi pelo licenciamento de grandes barragens entre as cidades de Tibagi e São Jerônimo da Serra, PR
  7. Pela não criação de área urbanizável no município de Atibaia, SP
  8. Apoio à criação da Câmara Técnica de Gestão Integrada entre Bacia Hidrográfica e Zona Costeira no Conselho Nacional de Recursos Hídricos
  9. Controle de fauna e flora exóticas invasoras
  10. Pelo investimento de fontes de energia renováveis
  11. Repúdio a Instrução Normativa (IN) nº66 de abril de 2005
  12. Repúdio ao novo mapa de biomas
  13. Repúdio a construção da Usina Hidrelétrica de Tijuco Alto no rio Ribeira nos Estados do PR e SP
  14. Repúdio à Prefeitura Municipal de São José do Mipibu pela omissão diante da degradação da mata ciliar da Bica e da poluição do rio Mipibu, RN
  15. Repúdio a atitude do Ibama/RJ de processar o ambientalista Ivan Marcelo, RJ
  16. Apoio ao funcionário João Evangelista de Melo Neto, SP
  17. Transformação de Alcatrazes em Unidade de Conservação de Proteção Integral
  18. Repúdio aos elevados índices de desmatamento na Amazônia
  19. Repúdio à desapropriação de área do parque turístico e ecológico águas das dunas em Jenipabu, município de Extremoz, RN
  20. Repúdio à transposição do São Francisco

Gerentes do Ibama defendem plano integrado de fiscalização para
Mata Atlântica

Pela primeira vez, o Ibama participou ativamente da Semana da Mata Atlântica. Três diretores compareceram ao evento: Rômulo Andrade, diretor de Fauna, Luiz Fernando Merico, diretor de Gestão Estratégica e vice-presidente do instituto e Flávio Montiel, diretor de Proteção Ambiental. Foram realizadas diversas reuniões, umas a portas fechadas outras não, onde foram debatidos problemas e soluções para a preservação do bioma. “A aproximação do Ibama é uma seqüência do trabalho realizado em Tamandaré”, acredita Miriam Prochnow.

Clique aqui e saiba mais

Do Corte à oração

A atividade era para ser uma contestação. Foi muito, muito mais que isso. Estava previsto o corte de dois Pinus eliottis. Um sinal de protesto contra o alastramento desta espécie exótica, tão presente no Brasil de Norte a Sul. Um grupo que conseguiu escapar da programação participou da atividade. Naquele dia, muitos nem conseguir almoçar porque o seminário entrou tarde a dentro, atrasando o Encontro da RMA.

Clique aqui e saiba mais

Prêmio Motosserra para quem defende a Hidrelétrica de Barra Grande

Um dos destaques da Semana da Mata Atlântica foi a divulgação dos novos ganhadores do Prêmio Motosserra, escolhidos pela Rede de ONGs da Mata Atlântica, uma das organizadoras do evento.

Um grande painel contra o enchimento da represa de Barra Grande, em Santa Catarina, e destaque na manifestação realizada durante a visita da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, mostrava a ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, como a grande vencedora do Prêmio, “por sua política que pensa pouco em meio ambiente”. Ao seu lado, foram premiados também a Engevix, empresa responsável pelo Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima), que não citou a existência de mais de cinco mil hectares de Floresta com Araucárias primárias ou em estágio avançado de regeneração, e o Baesa - consórcio formado pela Alcoa, Barra Grande Energética (Begesa), Camargo Correa, Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), DME Energética e Bradesco -, que comprou a usina, cujo enchimento está embargado na justiça.

O Prêmio Motosserra foi instituído pela Rede para destacar pessoas cuja atuação fomenta a destruição da Mata Atlântica. Já foi entregue – sempre simbolicamente - ao parlamentar Paulo Bornhausen e ao ex-deputado federal Luciano Pizzato, pelo esforço que fizeram para a não aprovação do projeto-de-lei da Mata Atlântica, que se encontra atualmente a espera de votação no Senado.

Amigo da Mata Atlântica recebe araucária em forma de troféu

Este ano, o troféu foi uma araucária, confeccionada pelo artista plástico Ramon Rocha, com materiais de sucata. A peça foi almejada por muitos, o artista já conta com várias encomendas.

A pessoa física agraciada com o Prêmio foi Paulo Nogueira Neto, atualmente presidente da Fundação Florestal do Estado de São Paulo, o primeiro Secretário do Meio Ambiente do Brasil e exerceu o cargo por mais de doze anos, de 1974 a 1986, em plena ditadura militar. Neste período, Nogueira Neto trouxe para a esfera governamental discussões como poluição e desmatamento, conceitos ignorados até então. Foi o criador das Áreas de Proteção Ambiental, das Estações Ecológicas e o arquiteto das leis de Política Nacional do Meio Ambiente e Impactos Ambientais. Trocou a advocacia pela história natural e tornou-se acadêmico e ambientalista, acumulando títulos e cargos, como o de membro vitalício do Conama.

Já a instituição que rebeceu o Prêmio foi o Movimento dos Atingidos por Barragens. Érico Francisco Fonseca, recebeu o troféu das mãos do ex-coordenador geral da RMA Renato Cunha. O MAB Sul descobriu que a região da Usina Hidrelétrica de Barra Grande seria desmatada e, junto com outras organizações da sociedade civil, articulou uma frente de resistência ao corte de milhares de hectares dessas árvores à beira da extinção.

O Movimento luta pela resistência na terra, pela natureza preservada e pela construção de um Projeto Popular para o Brasil que contemple uma nova Política Energética justa, participativa, democrática e que atenda os anseios das populações atingidas

Manifestação pela proteção da Mata Atlântica agita fora e silencia dentro

Durante os discursos da sessão solene do Conama, abertura oficial da Semana da Mata Atlântica, uma manifestação diferente tomou conta do auditório Cláudio Santoro. Ambientalistas e crianças entraram no ambiente vestindo máscaras, munidos de faixas e cartazes totalmente em silêncio. O som ao fundo era de um bumbo, retumbante e profundo, de mexer com a consciência.

Os manifestantes passaram na frente da platéia com suas faixas. Queriam chamar a atenção, principalmente de um dos maiores escândalos da história ambiental do país, a construção da Usina Hidrelétrica de Barra Grande. Uma das faixas dizia: A RMA festeja a criação de UCs com araucária e clama pela salvação das de Barra Grande.

A ação foi tocante. Teve gente que se emocionou. Muitos elogiaram a forma da manifestação. Mas quem viu o produto final, não imaginou o quanto foi complexa a operação.

As crianças recrutadas pela ONG Mingau, de Campos do Jordão, estavam muito felizes, de cara pintada, participando da atividade. Até que no meio do caminho, do alojamento ao auditório, surge a diretora da Escola Municipal Irene Lopes Sodré. Ela diz que os estudantes não poderiam estar participando da manifestação porque não tinham autorização para isso.

As crianças ficaram indignadas, queriam participar. Depois de muito argumento, conversa vai, conversa vem, e de contar com a presença secretária de educação do município, os alunos foram liberados para continuar. Graças as crianças, a mobilização teve impacto. Graças a diplomacia, a manifestação foi possível.

ONGs do Vale do Paraíba se destacam no apoio e na participação

A ONG Vale Verde, de São José dos Campos e o Instituto Águas do Prata, de Campos do Jordão auxiliaram muito na organização da Semana da Mata Atlântica. A primeira foi escolhida para ser o Elo do Estado de São Paulo e a segunda, é uma das mais novas filiadas à Rede.

Clique aqui e saiba mais

Produtos ecologicamente corretos se destacam em Campos do Jordão

“Todos deveriam ter uma bananeira em casa e não passariam fome”, diz a diretora-executiva do Programa da Terra, SP, Ana Aparecida Rebeschini. A organização, que desenvolve pesquisas e educação popular no meio rural, desde 1985, montou uma barraca, na entrada do auditório Cláudio Santoro, com a linha de artesanatos e comestíveis, produzidos a partir da banana.

Junto com os produtos do Proter, estavam expostas peças de mosaico feitas no Projeto “Comunidades construindo o futuro”, da ONG Roda Viva, RJ. A iniciativa envolve cerca de 50 famílias de baixa renda, nos municípios de Itaboraí e Majé.

Clique aqui e saiba mais

Oficinas despertam a sensibilidade em Campos do Jordão

Despertar a consciência ambiental, ampliar a percepção e sensibilizar a comunidade escolar. Estes são alguns dos objetivos das oficinas de artes que foram realizadas durante a Semana da Mata Atlântica, em Campos do Jordão. Professores de artes de escolas municipais participaram da iniciativa. As oficinas ocorreram nos jardins do auditório Cláudio Santoro e no Horto Florestal de Campos do Jordão.

Clique aqui e saiba mais


E festa lá do alojamento...

A farra foi grande no sábado à noite, dia 21/5. Vários participantes do Encontro da Rede confraternizaram no alojamento, em Campos do Jordão, após o show do violonista Yamandú Costa, que também marcou presença no “arrasta-pé”. O auge da festa foi a impagável apresentação de Kláudio Nunes, Miriam Prochnow e João de Deus Medeiros, do Grupo Pau Campeche no Karaokê. Os “cantores de plantão” só perderam para o samba que invadiu a “pista” e agitou a galera até o final do “ziriguidum”. Teve gente que não gostou do barulho e até chamou a polícia. No fim tudo acabou bem, para alegria dos ongueiros...

Yamandú deixa participantes boquiabertos

Dos acordes mais intensos, até o quase silêncio, pianíssimo. O violonista Yamandú Costa arrasou no seu concerto de sábado (21) à noite. Tocou com todo seu corpo, o violão era uma extensão de seus braços. Tom Jobim, Villa Lobos, João Pernambuco, Pixinguinha, entre outros mestres, e também composições próprias figuraram em seu repertório. Palmas para este talento de Passo Fundo, de 25 anos, que entre uma música e outra revelou seu lado ambientalista. “É uma barbaridade o que os gaúchos estão fazendo com as florestas Brasil afora” lamentou. Palmas para ele e para a Verena Almeida, do Programa Estadual de Apoio às ONGs da Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo. Se não fosse ela, ninguém teria se emocionado com os ralentandos de Yamandú.

Viva a Floresta

O Grupo de Proteção das Araucárias está realizando uma campanha em prol dos últimos remanescentes de Floresta Ombrófila Mista, encontrada exclusivamente no sul do Brasil. O Objetivo é chamar a atenção do governo para a urgência na criação de oito Unidades de Conservação no Paraná e cinco no Estado de Santa Catarina. Para participar, basta assinar um cartão distribuído pelo Grupo, endereçado à Presidência da República. O material esteve à disposição durante a Semana da Mata Atlântica em Campos do Jordão.

Informações: www.redeprouc.org.br

Fotografia de Ouro

Mauro Möller, do Movimento Roessler, RS, foi o ganhador do sorteio realizado no último dia do Encontro. O prêmio foi um quadro com uma fotografia de uma araucária produzida por Gernot Berger. Ele fotografa há 52 anos e é um apaixonado pelo Pinheiro do Brasil. O próprio Gernot, durante a entrega do prêmio, destacou a delicada situação por que passa essa espécie no país. Os ambientalistas de outros Estados lamentaram muito. Pois muitos deles não têm a oportunidade de ver uma araucária onde moram. O prêmio foi para uma entidade que fica em São Leopoldo, um município muito próximo das Florestas com araucárias.

Imprensa presente no encontro

A Semana da Mata Atlântica contou com ampla cobertura da imprensa nacional. Jornais como a Folha e o Estadão veicularam matérias sobre o evento. Essa cobertura se estendeu às agências de notícias, como a Agência Estado. Isso se deve principalmente ao empenho das jornalistas Maura Campanili e Lívia Almendary, que somaram esforços à equipe de imprensa da RMA.

No programa Bom Dia São Paulo, da TV Globo, a coordenadora geral da RMA, Miriam Prochnow, deu entrevista ao vivo, assim como às rádios CBN (do Rio de Janeiro) e Bandeirantes (Band Vale, de São José dos Campos). Matérias sobre o evento também saíram em noticiários da Globonews e em vários canais locais, com destaque para a ampla cobertura da TV, como a TV Vanguarda, retransmissora da TV Globo no Vale do Paraíba.

Os jornais da região também fizeram várias matérias, sobretudo o Vale Paraibano, principal jornal do Vale do Paraíba. No Paraná e em Santa Catarina também saíram matérias, em jornais como Gazeta do Povo (PR) e A Notícia (SC). Os veículos on-line especializados em Meio Ambiente fizeram uma cobertura extensa, entre eles o Jornal do Meio Ambiente, Ecoagência, Agência Fapesp, O Eco, Envolverde, Ambiente Brasil, Ambiente Já e Jornal da Ciência.

Também as ongs que possuem sites de notícias divulgaram as notícias da Semana Mata Atlântica. Entre elas, podemos citar: ISA, Amigos da Terra-Amazônia, SOS Mata Atlântica, Vale Verde, WWF-Brasil, Coalizão Rios Vivos, AMDA, Abong, entre outras.

Depois de encerrado o evento, a imprensa continuou solicitando informações e a coordenadora concedendo entrevistas.

 

Criada em 11/06/92 na ECO 92, a Rede de ONGs da Mata Atlântica tem como objetivo o intercâmbio de informações e a articulação entre as entidades que atuam em defesa da Mata Atlântica.
O boletim Últimas da Mata Atlântica é o veículo de comunicação da RMA.

Coordenação eleita na última assembléia: Titulares: Apremavi/SC, Apromac/PR, Associação Serras Úmidas/CE, Gambá/BA, Mopec/SE, NAT/RS, Os Verdes/RJ, Vidágua/SP, Proter/SP

Suplentes: Assecan/RS, Cepedes/BA, Ecoa/MS, Gescq/PE, Ipema/ES, ISMECN/MG, Roda Viva/RJ, STV/RN, Terra Mater/PR

Secretaria Executiva:
SCLN 210, bloco C, salas 207/208 CEP: 70862-530 Brasília - tel.:61-349-9162
e-mail: bruno.rma@terra.com.br ; eliana.rma@terra.com.br; beatriz.rma@terra.com.br

Jornalista Responsável: Sílvia Franz Marcuzzo Reg.Prof. 7551 MTb/RS
mailto:silvia.rma@terra.com.br tel.: 61. 32017017


*Os textos deste boletim podem ser utilizados, desde que citada a fonte.

clique aqui e acesse nosso site