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Boletim Últimas da Mata Atlântica nº 81 14/11/2007

Editorial

"Considerada um dos ambientes naturais mais importantes do mundo por seu elevado grau de diversidade de animais e plantas, a Mata Atlântica guarda um bem ainda mais fundamental: a água".

No Sudeste os poucos remanescentes da Mata Atlântica garantem o abastecimento de 120 milhões de pessoas. Conforme o estudo conduzido no Parque Estadual da Serra do Mar, em São Paulo, as áreas que antes eram ocupadas pela floresta abrigam hoje mais de 80% da população do país e suas principais indústrias. A Mata Atlântica tem trazido benefícios, não somente para a região Sudeste mas para todo o país. O Parque Estadual da Serra do Mar é um verdadeiro guardião desses benefícios. Com 315 mil hectares, é a maior área contínua preservada de Mata Atlântica, abrangendo 28 municípios do estado de São Paulo. Estimativas indicam que existem 20 mil espécies diferentes de plantas, e em um único hectare da mata chega a abrigar 450 espécies de árvores. Cientistas ressaltam, no entanto, que os números apresentados podem ser ainda maiores, já que nem tudo é conhecido. Conforme a pesquisa a Mata Atlântica é uma das maiores responsáveis pela produção hídrica do país. Leiam a matéria completa, acessem...

Destaques desta edição

Editoriais

ONGs em ação

  • Apremavi lança novo Site e Campanha SOS Rio Pelotas

    A Associação de Preservação do Meio Ambiente do Alto Vale do Itajaí %u2013 Apremavi %u2013 lança seu novo site na internet, com muitas novidades e uma grande campanha em prol da preservação do rio Pelotas.

    O novo site tem um design moderno e antenado com a questão climática. Vinte e duas ilustrações bem humoradas, que mudam automaticamente de acordo com a mudança do tempo em Rio do Sul, cidade onde fica o escritório da Apremavi, dão destaque às páginas do site. Essas ilustrações têm como objetivo lembrar aos internautas a necessidade de se desenvolver ações para combater o aquecimento global, a exemplo do programa Clima Legal que a Apremavi lançou em julho deste ano.

    O Clima Legal visa o plantio de árvores nativas para restauração de ambientes degradados com a parceria de pessoas físicas e jurídicas. Mediante a um apoio financeiro, os participantes poderão optar por uma das modalidades para que a Apremavi faça o plantio e a manutenção das mudas. Durante o crescimento, as árvores irão "seqüestrar carbono" da atmosfera. Isso vai amenizar os efeitos do aquecimento global.

    O site traz ainda quase todas as publicações da Apremavi, em arquivos para download e a grande novidade é o guia de espécies, parte integrante do livro "No Jardim das Florestas", com mais de 80 espécies nativas da Mata Atlântica. Apresenta também em detalhes todos os programas desenvolvidos pela Apremavi e uma ampla seção falando da Mata Atlântica.

    Os internautas terão ainda um espaço para o encaminhamento de denúncias na seção "Protesto verde". Essas denúncias serão analisadas pela Apremavi e encaminhadas aos órgãos competentes.

    E para inaugurar a seção de mobilização, a Apremavi lança a campanha "SOS rio Pelotas", pedindo a todos que participem deste abaixo-assinado em prol da criação de uma Unidade de Conservação na região e contra a construção da Usina Hidrelétrica de Paiquerê. A campanha traz informações detalhadas sobre a situação do rio e as argumentações para a criação do Refúgio de Vida Silvestre Corredor do Pelotas.

    Mais informações: Maria Luiza Schmitt Francisco %u2013 Fone/fax: (47) 3521-0326 / info@apremavi.org.br

    Acesse o novo site da Apremavi
  • Supressão de Mata Atlântica na zona de amortecimento do Parque Estadual Nova Baden é denunciada

    A Amda encaminhou ao Instituto Estadual de Florestas %u2013 IEF, no dia 18 de outubro, denuncia %u2013 recebida pela entidade %u2013 de supressão de Mata Atlântica para plantio de eucalipto na zona de amortecimento do Parque Estadual Nova Baden, no município de Campanha. De acordo com informações recebidas pela entidade, o empreendimento encontra-se em processo de adequação junto ao escritório local do IEF. No entanto, para a ONG, não há como regularizar esse tipo de atividade.

    Segundo o denunciante, há planejamento de plantio de um milhão de mudas de eucalipto na área, da Fazenda Vale da Lua. Segundo o denunciante, até agora cerca de 250 mil já foram plantadas.

    A assessora jurídica da Amda, Cristina Chiodi, explica que se as autoridades exigirem o cumprimento da Lei da Mata Atlântica e a Resolução do Conama 369/06, não será possível regularizar o empreendimento. Ainda segundo Cristina, a legislação é clara quando dispõe sobre casos excepcionais para intervenção em APP.

    Ela alega que qualquer ocupação que possa ter ocorrido no local deverá ser retirada pelos responsáveis pela supressão da vegetação. %u201CAs informações que nos chegaram sobre o caso demonstram que a legislação ambiental está sendo jogada no lixo. Só nos resta esperar que os órgãos ambientais apliquem de forma efetiva a legislação, além de continuar denunciando, inclusive ao Ministério Público, estes absurdos atentados contra a lei e contra o meio ambiente%u201D, finaliza.

    O próprio denunciante já havia notificado o caso, em 26 de março, a Fundação Estadual do Meio Ambiente %u2013 Feam. No mesmo dia, o órgão a encaminhou ao Instituto Estadual de Florestas %u2013 IEF. No dia 11 de abril foram lavrados seis Autos de Infração, devido às seis intervenções em Áreas de Preservação Permanente %u2013 APPs, com supressão da vegetação e alteração do uso do solo para o plantio de eucalipto e abertura de estrada. O valor total das multas provenientes às autuações é de mais de R$ 8,5 mil.

    Segundo os Autos de Infração, a plantação de eucalipto realizada na Fazenda Vale da Lua não tinha a Autorização Ambiental de Funcionamento %u2013 AAF e plano de manejo em APP, não respeitando distância mínima de cursos d%u2019água e nascentes. Os autos alegam também que, por estar na zona de amortecimento do Parque Estadual, qualquer atividade feita na área deveria ter obrigatoriamente uma licença do órgão ambiental competente.

    Assessoria de Imprensa da Amda
  • Iniciativa Verde viabiliza o restauro de 82 mil mudas nativas da Mata Atlântica

    No dia 10 de novembro, a Iniciativa Verde junto aos seus parceiros, realizou uma cerimônia de restauro, foram cerca de 82 mil mudas nativas da Mata Atlântica. Essas árvores recuperarão 50 hectares de áreas ciliares degradadas e absorverão 15.580 toneladas de gases de efeito estufa.

    A cerimônia marcou o início do restauro de 2007, que acontece justamente por conta de empresas e marcas parceiras, tais como o escritório de advocacia Pinheiro Neto, o TIM Festival e Prêmio Tim, o laboratório farmacêutico Roche (pelo Fórum Internacional de Câncer de Pulmão), o São Paulo Fashion Week, o lançamento do novo Golf da montadora Volkswagen, o Grupo Caixa Seguros, as etapas do Circuito Banco do Brasil de vôlei de praia, a agência Centoeseis, a agência de pesquisa de tendência Box 1824, a loja Garimpo Fuxique, UMA, entre outros, que acreditaram e divulgaram uma ação conjunta para um futuro mais promissor.

    A Iniciativa Verde conferiu o selo Carbon Free para cerca de mais de 100 eventos e empresas durante o ano de 2007. A ONG se responsabiliza pelo calculo, plantio e monitoramento das áreas restauradas.

    Após o plantio é realizada uma manutenção intensiva do restauro por um período de dois anos, tempo que demora até que as mudas sejam auto-suficientes. Após esta etapa é realizado um monitoramento periódico por técnicos da Iniciativa Verde e agentes locais. Este monitoramento é realizado durante todo o período de absorção de CO2e, através da metodologia para projetos florestais AR-AM0001 (Revised simplified baseline and monitoring methodologies for selected small-scale afforestation and reforestation project activities under the clean development mechanism) aprovada pelo conselho executivo da UNFCCC. Além disso, devido ao caráter legal das áreas a serem reconstituídas (APPs) haverá fiscalização de órgãos ambientais estaduais e federais, sendo o corte das árvores considerado crime inafiançável perante a legislação ambiental brasileira.

    Ao plantar as árvores de diversos projetos, neutralizados em uma única área a Iniciativa Verde viabiliza a criação de um novo segmento de floresta, o qual proporciona diversos serviços ambientais como a preservação dos recursos hídricos, solo e biodiversidade. A nova floresta madura garantirá também a manutenção do carbono fixado por longos períodos, pois a morte de uma árvore centenária abre espaço para o crescimento de muitas outras sementes e mudas que antes estavam dormentes.

    A Iniciativa Verde é um grupo de técnicos de diferentes áreas de conhecimento que, através de uma ótica diferente, busca soluções ambientais para tornar produtos e processos produtivos menos agressivos ao meio ambiente. Responsável pelo selo Carbon Free, a Iniciativa Verde está engajada em assuntos relativos às mudanças climáticas desde 1992. Trabalhando em muitos estudos e projetos científicos, desenvolveu projetos nacionais e internacionais de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) para governos, indústrias e instituições como o Banco Mundial, Banco Inter-Americano de Desenvolvimento (BIRD) e Programas de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD).

    As atividades do grupo são focadas principalmente em uma análise (calculo, restauro florestal e supervisão) ampla de sistemas produtivos, identificando as possibilidades para atenuar e remediar os impactos ambientais causados por estas atividades.

    A Iniciativa Verde é a responsável pelo selo Carbon Free e está engajada em assuntos relativos às mudanças climáticas desde 1992. Trabalhando em muitos estudos e projetos científicos, desenvolveu projetos nacionais e internacionais de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) para governos, indústrias e instituições como o Banco Mundial, Banco Inter-Americano de Desenvolvimento (BIRD) e Programas de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD).


    O trabalho

    Ajudar a neutralizar gases de efeito estufa emitidos por atividades do homem, que podem variar de processos de produções industriais até o simples ato de dirigir um automóvel, com projetos de reflorestamentos de áreas de matas ciliares que precisam ser recuperadas.

    As árvores plantadas irão absorver carbono da atmosfera e propiciar também outros benefícios ambientais locais, como preservação da qualidade do ar e da água e a proteção da biodiversidade.

    O restauro de áreas ribeirinhas, além de absorver carbono da atmosfera, fornece uma série de benefícios ambientais locais. O principal benefício local é a preservação dos recursos hídricos, já que estas matas servem como um %u201Cfiltro%u201D natural evitando a evaporação excessiva e o assoreamento nos cursos d´água; e a manutenção e/ou recuperação da biodiversidade local, já que as matas ciliares criam %u201Ccorredores verdes%u201D por onde as espécies podem circular, colaborando para a dispersão e conseqüente variabilidade genética destas.

    Fonte: Daniela Fernandes, Agência Cartaz - daniela@agenciacartaz.com.br

Políticas Públicas

  • Blitz ecológica destrói carvoarias que desmatavam Mata Atlântica

    Em blitz realizada no dia 31/10 pela Cicca (Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais), da SEA (Secretaria de Estado do Ambiente), no município de Rio Bonito, foram destruídos 23 fornos que produziam carvão ilegal e 50 sacos de carvão que seriam vendidos irregularmente em mercados da região.

    Os criminosos estavam desmatando áreas de Mata Atlântica junto à nascente do Rio Caceribu, para alimentar os fornos, além de provocar queimadas e destruir a mata ciliar de proteção das margens do rio %u2013 o principal do município.

    Ninguém foi encontrado no local. Mas segundo o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, que participou da blitz, os proprietários e operadores foram identificados e serão enquadrados em cinco artigos da Lei de Crimes Ambientais (número 9605/98). Além de pagar multa, os criminosos serão obrigados a restaurar a mata suprimida.

    Minc disse ainda que além dos proprietários das carvoarias, os donos das lojas que recebiam e vendiam o carvão ilegal também serão identificados e enquadrados na Lei de Crimes Ambientais. Além de multados, os responsáveis poderão ser condenados à pena de três meses a um ano de prisão.

    A operação contou com dois helicópteros do GAM (Grupamento Aéro-Marítimo da Polícia Militar), com agentes do Batalhão de Polícia Florestal e de Meio Ambiente, do IEF e da Cicca. Os helicópteros do GAM foram utilizados para sobrevoar a região e averiguar a prática ilegal da produção de carvão, além de possíveis focos de queimadas.

    O coordenador da Cicca, José Mauricio Padrone, e agentes do órgão da SEA prepararam a operação sobrevoando e mapeando a região com GPS %u2013 constatando o crime ambiental praticado pelos carvoeiros. Foram dois meses de investigação até a realização da mega operação de hoje.

    A blitz constatou também a existência de mais 30 áreas com focos de queimadas. Segundo moradores da vizinhança, são vistos com freqüência focos de fogo no final das tardes. Minc disse que serão ampliadas a fiscalização e outras ações em defesa da região.

    Segundo Minc, a falta de água que atingiu as regiões de Itaboraí, São Gonçalo e Niterói e as queimadas que vêm ocorrendo, por conta da estiagem prolongada, têm alguma relação com essas carvoarias ilegais. Esses fornos estavam localizados muito próximos da nascente do Rio Caceribu, destruindo o meio ambiente.

    Minc disse ainda que algumas das queimadas criminosas na região, identificadas no início do mês, tiveram inicio a partir do fogo das carvoarias: - Com a estiagem, qualquer fagulha é levada pelo vento, dando início a uma queimada e prejudicando o meio ambiente - disse.

    Fonte : Secretaria de Meio Ambiente Rio de Janeiro - Notícia recebida por e-mail

  • Rio de Janeiro e São Paulo precisam da Mata Atlântica para ter o que beber

    Considerada um dos ambientes naturais mais importantes do mundo por seu elevado grau de diversidade de animais e plantas, a Mata Atlântica guarda um bem ainda mais fundamental: a água. Os números dão a dimensão da riqueza.

    Os escassos remanescentes da floresta garantem o abastecimento de 120 milhões de pessoas, sobretudo no Sudeste. Revelar como o ciclo hidrológico da mata é imprescindível para a sobrevivência dos grandes centros urbanos é um dos principais objetivos de um estudo conduzido no Parque Estadual da Serra do Mar, em São Paulo.

    É paradoxal mesmo. Se a Mata Atlântica não tivesse sido praticamente destruída, as grandes cidades não existiriam - pelo menos não onde estão. As áreas antes ocupadas pela floresta abrigam hoje mais de 80% da população do país e suas principais indústrias.

    Mas se os 7% que restam da mata não forem preservados, não haverá água para manter tudo isso.

    Quando chove em terras desmatadas, ocorre o que se costuma chamar popularmente de enxurrada. A água bate com força no solo exposto e corre rapidamente em direção aos rios mais próximos levando junto com ela grande volume de terra. O resultado imediato é a enchente, já que a água chega muito rápido aos veios. A médio prazo, todo aquele sedimento carreado se deposita no leito dos rios.

    Dependendo da situação pode levar ao fim do manancial e à seca generalizada na região. Sem falar que, em função da geografia do local, pode provocar graves deslizamentos de terra.

    Mas quando a chuva cai sobre a floresta, o processo é totalmente diverso. A água enfrenta vários obstáculos na vegetação até chegar ao solo. Com a velocidade bastante reduzida, o impacto é menor, o que permite que a água se infiltre no terreno, alimentando os lençóis subterrâneos.

    São esses lençóis que vão abastecer os rios. Ou seja, não há um excesso de água lançada nem o carreamento de sedimentos.

    Esse ciclo garante a afluência dos rios mesmo nos períodos mais secos do ano, e auxilia o equilíbrio climático.

    %u201CA mata protege os mananciais que abastecem Rio, São Paulo e a Baixada Santista%u201D, afirma Luiz Roberto Numa de Oliveira, diretor de operações da Fundação Florestal de São Paulo, responsável pela coordenação dos parques do estado. %u201CE a estabilidade das encostas e o equilíbrio do clima dependem diretamente disso%u201D.


    Floresta é uma usina de rios

    O Parque Estadual da Serra do Mar tem um papel importante nesse ciclo. Com 315 mil hectares, é a maior área contínua preservada de Mata Atlântica, abarcando 28 municípios de São Paulo.

    É essa região conservada que garante a sobrevivência dos rios Paraibuna e Paraitinga que vão se juntar mais à frente para formar o Paraíba do Sul %u2014 principal fonte de abastecimento do Rio de Janeiro.

    No Laboratório de Hidrologia Florestal, que funciona no parque, cientistas fazem o monitoramento quantitativo e qualitativo das águas que, no fim desse ciclo, vão abastecer Rio de Janeiro, São Paulo e outras cidades.

    Eles conseguiram medir, por exemplo, que nas áreas de Mata Atlântica 63% da água da chuva se infiltra no solo para alimentar os lençóis freáticos. Esse percentual é altíssimo mesmo quando comparado aos números da Amazônia %u2014 onde a infiltração é de 50%.

    E fica ainda mais destacado posto ao lado dos números de regiões de pastagem, onde é inferior a 30%.

    Resumindo, a Mata Atlântica é uma das maiores responsáveis pela produção hídrica do país.

    %u201CA Mata Atlântica tem uma diversidade muito elevada de árvores, com as mais diferentes folhas, e das mais variadas alturas. Além disso, o solo conserva um volume grande de matéria orgânica que o torna ainda mais poroso%u201D, explica o engenheiro agrônomo José Luiz de Carvalho, coordenador regional dos parques do Vale do Paraíba e Mantiqueira. %u201CIsso faz com que a infiltração da água seja muito maior. O processo é completamente diferente numa floresta de eucaliptos, por exemplo.%u201D


    Protetora de animais e plantas

    Da Mata Atlântica original que cobria boa parte do litoral brasileiro restam apenas 7%. Mas mesmo tão reduzida e fragmentada, a floresta é uma das mais ricas em biodiversidade do mundo.

    Estimativas indicam que existam 20 mil espécies diferentes de plantas, sendo que metade é endêmica %u2014 ou seja, não existe em nenhum outro ecossistema.

    Um único hectare da mata pode abrigar 450 espécies de árvores, enquanto que uma floresta inteira da Europa tem de seis a oito. O número de animais é ainda mais impressionante. São 1,6 milhão de espécies, incluindo as de insetos.

    Os cientistas ressaltam, no entanto, que os números podem ser ainda maiores já que nem tudo é conhecido.

    Roberta Jansen, SBEF News/ Jornal O Globo

Ameaças a Mata Atlântica

  • Prefeito e presidente da Câmara garantem retorno de zoneamento residencial para área de Mata Atlântica em Nova Lima

    A reunião promovida pelo Movimento de Proteção aos Recursos Naturais de Nova Lima %u2013 Prana e Associação Comunitária de Jardins de Petrópolis, no último sábado, 10 de novembro, em Nova Lima, foi marcada pela clara posição do prefeito do município, Carlos Roberto Rodrigues (PT), e do presidente da câmara de vereadores, Luciano Vítor Gomes (PSL), de voltar atrás no zoneamento do condomínio Jardins de Petrópolis, região de Mata Atlântica e integrante da Área de Proteção Ambiental %u2013 APA Sul. O mais recente texto do Plano Diretor da cidade, aprovado em agosto pela Câmara Municipal, altera a atual classificação do local, de predominantemente residencial, ZOR3, para Zona Especial de Interesse Turístico e Habitação, Setur-Hab.

    Essa mudança de zoneamento permite a instalação de comércio, hotéis e restaurantes no condomínio. Além disso, não há proibição expressa de desmembramento dos lotes, o que pode fragmentar remanescentes de Mata Atlântica na região, onde ocorrem espécies da fauna e flora ameaçadas de extinção. Hoje o tamanho mínimo deles é de 5.000 metros quadrados.

    A área total que pode ser atingida é de 1500 hectares e possui, de acordo com a Associação Comunitária de Jardins de Petrópolis, 30 nascentes de água com papel importante no abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte %u2013 RMBH.

    A promessa do prefeito Carlos e do vereador Luciano de retornarem o zoneamento do bairro Jardins de Petrópolis para de uso predominantemente residencial tem até o dia 28 de fevereiro de 2008 para se tornar realidade. No entanto, de acordo com os dois, isso deve ocorrer antes dessa data, prazo final para aprovação do Plano Diretor pelo município.


    Risco de fragmentação

    A assessora jurídica da Amda, Cristina Chiodi, explica que as alterações propostas no Plano Diretor, caso não sejam revertidas, conforme prometido na reunião deste sábado, poderão promover o aumento da fragmentação e a supressão de vegetação em novas áreas. %u201CO principal problema levantado é essa possibilidade de introdução de atividades comerciais em zona residencial. Atualmente, os módulos mínimos no bairro são de cinco mil metros quadrados, destinados exclusivamente ao uso residencial unifamiliar, o que permitiu significativa conectividade entre fragmentos de vegetação, e a manutenção da vegetação dentro dos próprios lotes%u201D, explica.

    Com essa preocupação, a Amda enviou, no dia 9 de outubro, uma representação ao Ministério Público Estadual, na sua Comarca de Nova Lima, solicitando análise do Plano Diretor, a fim de verificar sua compatibilidade com as determinações da Lei da Mata Atlântica.

    A superintendente executiva da entidade, Maria Dalce Ricas, que participou da reunião de sábado, 10, em Nova Lima, cobrou também maior participação do Estado no zelo pela conectividade das áreas de remanescentes de mata nativa. Ela classificou a mudança de zoneamento proposta pela Câmara Municipal como um incentivo a ocupação de uma das maiores áreas contínuas, junto com o Parque Estadual do Rio Doce, de Mata Atlântica em Minas Gerais.

    %u201CNão se pode permitir que a especulação imobiliária acabe com a vegetação e conectividade entre os fragmentos de Mata Atlântica da região%u201D, concluiu a superintendente da Amda. Ela propôs ainda que seja elaborado um sistema de áreas protegidas %u2013 SAP para o Vetor Sul da RMBH, nos moldes do que se fez no Vetor Norte quando do licenciamento prévio do Centro Administrativo de Minas Gerais.


    Licenciamento corretivo

    Jardins de Petrópolis, instalado em 1974, antes da criação do Conselho Estadual de Política Ambiental %u2013 Copam, não possui licença ambiental. Durante a reunião deste sábado a realização de Estudos e Relatórios de Impacto Ambiental %u2013 EIA/Rima do empreendimento, com vistas a execução do licenciamento corretivo do condomínio, foi considerada pelos presentes como mais uma forma de proteger os remanescentes de Mata Atlântica presentes na região.

    Maria Dalce Ricas sugeriu que a Feam seja questionada sobre quem deve ser responsável pelo EIA/Rima do condomínio, já que há dúvida sobre quem é o empreendedor de Jardins de Petrópolis, depois de mais de 30 anos da sua instalação.

    Além de Maria Dalce Ricas, do prefeito Carlos Rodrigues, e do vereador Luciano Gomes, compuseram a mesa redonda de debates no sábado, no Centro de Atendimento Integral a Criança %u2013 Caic, em Nova Lima: o gerente da APA Sul, Luiz Roberto Bendia, gerente executivo do Ibama/MG, Álison Coutinho, representante do 3º pelotão da Polícia Militar de Meio Ambiente, Cabo Ediley, coordenador do Sub-Comitê de Bacia do Ribeirão Macacos, e o biólogo Leonardo Viana, que representou a diretoria de biodiversidade do Instituto Estadual de Florestas %u2013 IEF. O coordenador do evento, da Associação Comunitária Jardins de Petrópolis e Prana, foi Roney Bernardes Rocha.

    Alisson Coutinho - Assessor de Imprensa da Amda

Oportunidades

  • II Congresso Nacional de Alfabetização e Educação Ambiental

    O II Congresso Nacional de Alfabetização e Educação Ambiental objetiva construir um espaço de diálogo para a discussão e reflexão acerca da Educação Ambiental imbricada nos cotidianos da Alfabetização e da Educação de Jovens e Adultos, nos espaços formais, informais e não formais de ensino. Pretende reunir professores, educadores ambientais, estudantes de graduação e pós-graduação, com a intenção de compartilhar experiências, saberes e conhecimentos científicos sobre as questões socioambientais implicadas nas práticas educativas e na formação de educadores.

    Dias: 10, 11 e 12 de abril de 2008.
    Local: Fundação Universidade Federal do Rio Grande %u2013 Rio Grande/RS
    Coordenação Geral: Profª Drª Cleuza Maria Sobral Dias & Profª Drª Susana Inês Molon
    Endereço: Avenida Itália, Km-8 - Campus Carreiros - Pavilhão 4 /Sala 29A - Rio Grande-RS
    Informações: (0xx53) 3233-6993

  • Curso Biologia da Conservação

    Estão abertas as inscrições para o curso "Biologia da Conservação", promovido pela Fundação O Boticário de Proteção à Natureza. As aulas serão realizadas entre os dias 18 e 24 de novembro, na Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba (PR). O curso é destinado a profissionais que atuam em áreas protegidas; professores e estudantes de pós-graduação ou do último ano de graduação, de áreas afins; e profissionais autônomos.

    As inscrições vão até o dia 28 de outubro e o programa completo pode ser conhecido no site

    Acesse o site
  • Feira de Economia e Meio Ambiente

    A UEM (Universidade Estadual de Maringá) realiza a Feira de Economia e Meio Ambiente: reuso da água e a reciclagem de materiais descartáveis como possibilidades concretas para a sustentabilidade da vida no planeta, nos dias 19 e 20 de novembro, no Centro de Convenções do Aspen Park.

    O objetivo é promover uma discussão reflexiva sobre o desenvolvimento sustentável como necessidade histórica da produção material da vida na contemporaneidade, focando o reuso da água e a reciclagem do lixo como possibilidades concretas de ganhos socioambiental.

    Estão programadas, no dia 19, palestras sobre a questão das águas (8h30); a questão energética (10h30); a reciclagem de materiais como mecanismo de reinserção social (14 horas); e o mercado planetário de créditos de carbono (16 horas). Estão previstas também: exposição de produtos reciclados; exposição de banners e vídeos informativos sobre valoração econômica e o ganho socioambiental resultante da reciclagem de materiais e do reuso da água; exposição de painéis sobre as possibilidades de geração de emprego e renda com a atividade da reciclagem dos materiais; e exposição de painéis sobre a relação entre aquecimento global e a emissão de carbono.

    Segundo a coordenadora geral Maria de Fátima Garcia, a expectativa é atingir, pelo menos, mil pessoas durante o evento, destinado à população em geral e, em especial, aos estudantes de todos os níveis de ensino, pesquisadores, trabalhadores, empresários, donas de casa e profissionais liberais.

    O evento é promovido pelos departamentos de Economia e de Engenharia Química da UEM, com apoio dos PETs de Economia e Engenharia Química e financiamento da UEM e da Fundação Araucária, entre outros.

    Informações adicionais
  • Exposição Fotográfica: "Mata Atlântica - Reflexo do Olhar"

    O fotógrafo Gustavo Pedro de Paula convida a todos para a abertura da exposição fotográfica: %u201CMata Atlântica: Reflexo do Olhar%u201D, que acontece na Galeria Vitrine, na Avenida Pasteur, nº 250, Fundos - Palácio Universitário (Escola de Comunicação - UFRJ), Praia Vermelha - Urca/RJ. A exposição ficará em exibição até o dia 20 de novembro.

    Gustavo Pedro de Paula
  • Curso Básico e Teórico de Bioconstrução

    O Instituto iBiosfera ministrará de 24 a 27 de Janeiro de 2008, um curso prático e teórico de Bioconstrução na sua Base de Campo da Juréia em Pedro de Toledo-SP, que receberá pesquisadores para a realização dos projetos da ONG voltados a implantação da AGENDA 21 em 7 municípios daquela região.

    O foco deste Curso será ensinar e aplicar o uso de diversas ecotécnicas que podem e devem ser usadas na construção civil como opção mais sustentável e saudável das técnicas convencionais industriais.

    É urgente a adoção de técnicas com menor impacto ambiental, para que a população humana possa continuar seu ciclo de evolução sem comprometer a VIDA no Planeta Terra e impossibilitar a autonomia e tomada de decisão das próximas gerações.

    Além das ecotécnicas, serão utilizados materiais naturais e renováveis como o Bambu, a terra crua, materiais reciclados entre outros em substituição ao ferro, aço e cimento que causam enorme impacto ao meio ambiente em seus processos de produção industrial.

    O Curso transmitirá noções teóricas e ensinamentos práticos, onde os alunos participantes auxiliarão no processo da construção de uma edificação totalmente estruturada com pneus e com a espécie de Bambu Phyllostachis pubescens (Mossô) tratada naturalmente em imersão e fervura.

    Este será o IV Curso de BioArquitetura realizado na Base de Campo do iBiosfera que já foi apreciado por mais de 90 participantes na edições anteriores, sempre num clima de amizade, alegria, cooperativismo e participação.

    Ibiosfera

Em Balaio

  • Ilha Grande, no RJ, está entre as 30 ilhas mais preservadas do mundo

    A Ilha Grande, no Estado do Rio de Janeiro, aparece em 30º lugar em uma lista que avalia o grau de preservação de 111 ilhas pré-selecionadas em um estudo feito pela revista americana de turismo e viagens National Geographic Traveller.

    O objetivo do ranking foi medir o impacto do turismo sobre as ilhas.

    A revista convidou 522 especialistas em turismo sustentável a avaliar ilhas com as quais já estavam familiarizados usando critérios como qualidade ambiental, integridade social e cultural, condição de prédios históricos e sítios arqueológicos, apelo estético, políticas de turismo e expectativas para o futuro.

    A Ilha Grande se sobressaiu à média, recebendo o equivalente a uma nota 4 em uma pontuação em que a nota máxima seria 6.

    "Um lugar lindo, ainda ricamente florestado, com praias maravilhosas e pequenas comunidades muito charmosas. Sua proximidade com o Rio de Janeiro assegura acesso relativamente fácil. É preciso tomar cuidado para não arruiná-lo", comentou um dos especialistas. "Grande qualidade ecológica e apelo turístico, principalmente porque o turismo é em grande parte local. Não há grandes complexos estrangeiros ou grandes hotéis", disse outro.

    A revista esclareceu que o Arquipélago de Fernando de Noronha não está incluído na pesquisa por não se encaixar nos critérios estipulados pelos pesquisadores.

    "Fernando de Noronha já é uma ilha protegida e preservada ambientalmente, não pode ser comparada com as outras analisadas", disse à BBC Brasil o editor de Geoturismo da revista, Jonathan Tourtellot.

    Abaixo do Brasil na lista de 111 ilhas está a Sardenha, na Itália, em 31º lugar. E logo acima, na posição 29, está a Ilha Rhode, nos Estados Unidos.

    Ilhas localizadas em regiões frias estão em posição de vantagem.

    No topo da lista, por exemplo, estão as Ilhas Faroe, na Dinamarca. Em terceiro, está a Lofoten, na Noruega, seguida da ilha Shetland, na Escócia, em quarto lugar. Mas há exceções, e o arquipélago português dos Açores aparece em segundo lugar no ranking.

    Em quinto lugar está a Ilha de Chiloé, no sul do Chile.

    Estadão Online
  • Bunge Alimentos retoma intimidações no Piauí

    O ambientalista Judson Barros, presidente da Fundação Águas do Piauí %u2013 FUNAGUAS, volta a ser alvo das perseguições e intimidações por parte da multinacional Bunge Alimentos.

    Desde 2003 a multinacional adotou um comportamento de intimidação com o ambientalista e a Fundação Águas. A empresa move 5 processos alegando danos morais e pedindo uma indenização de 2 milhões de reais. Move também processo criminal pedindo a prisão do ambientalista.

    Novamente a empresa voltou a movimentar os processos na comarca de Uruçuí-Pi. Convém esclarecer que o ambientalista mora em Teresina, onde trabalha e estuda. No intuito de dificultar a situação para o ambientalista a Bunge move os processos em Gaspar-SC e Uruçuí-PI.

    O ambientalista foi entrevistado recentemente pela UITA (http://www.rel-uita.org), momento em que falou da política implementada pela Bunge Alimentos no Estado do Piauí com o aval do Governo do Estado. Na ocasião falou sobre as isenções fiscais que a Bunge recebeu de presente do Governo e das ameaças que vem sofrendo por conta da defesa que faz em prol do Cerrado e da sua gente.

    Na avaliação do próprio ambientalista a sua posição em defesa do meio ambiente e dos direitos humanos no Estado, que não vem agradando à empresa e ao Governo, tem gerado essa situação para que ambos adotem uma postura de retaliação para com o movimento ambientalista e tentem calar a qualquer custo aqueles que reclamam por direitos humanos e desenvolvimento sustentável.

    Precisamos urgentemente mostrar ao mundo inteiro qual é a conduta adotada pela empresa Bunge Alimentos no Piauí com a conivência do Governo do Estado. É a única forma que temos para barrar essa situação de violação frontal dos direitos humanos e não permitir que mais uma injustiça não seja cometida.

    Rede Ambiental do Piauí - REAPI
  • Ambientalistas protestam pela preservação de Abrolhos, na Bahia

    Ambientalistas da Coalizão SOS Abrolhos, a cerca de 70km da costa baiana, uma rede de organizações %u2013 entre elas, a Conservação Internacional (CI-Brasil) e a SOS Mata Atântica %u2013, fizeram uma manifestação em Abrolhos, neste sábado, 10, pedindo mais atenção do governo para a preservação do parque marinho. Um dos motivos do protesto foi a extinção, há cerca de seis meses, da ZA (Zona de Amortecimento) do parque, o que, segundo os ambientalistas, pode causar danos ao ecossistema do entorno da reserva ambiental.

    Renata Carvalho, A Tarde

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