O desafio de diminuir a perda de biodiversidade
Se, de um lado a biodiversidade no planeta ganha com o aumento na superfície de áreas protegidas, de outro perde com desmatamento em níveis elevados, o declínio de populações tradicionais, a ameaça de extinção de espécies e a fragmentação de florestas. Todos esses diversos tipos de degradação levam a uma demanda global por recursos 20% além da capacidade de a Terra repor o que dela é retirado. O resultado é uma perda de diversidade biológica que deve continuar para além de 2010, ano em que se concentram metas de recomposição do número de espécies perdidas.
Em resumo, este é quadro o traçado pela segunda edição do estudo Panorama da Biodiversidade Global – realizado pela Convenção sobre Diversidade Biológica em colaboração com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) –, divulgado durante a COP-8
O documento analisa as possibilidades de se atingir as metas de contenção da perda da biodiversidade e mostra que somente com esforços adicionais será possível reverter a tendência. Segundo o estudo, aumentam as ameaças à biodiversidade, entre as quais o ingresso de nitrogênio reativo nos ecossistemas, o que prejudica organismos de espécies de crescimento lento.
Outro problema é a introdução de espécies exóticas em ecossistemas, como resultado do aumento do número de viagens e do comércio. As perdas ambientais anuais causadas pela introdução de pragas exóticas nos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, África do Sul, Índia e Brasil são calculadas em US$ 100 bilhões, aponta o relatório.
Avaliada favoravelmente, a expansão da superfície de áreas protegidas (hoje, 12% do planeta são áreas de proteção, no total de 105 mil unidades) não é uniforme em todos pontos. A maioria das ecorregiões está aquém da meta de 10% de áreas protegidas.
A cada ano, cerca de 13 milhões de hectares (área semelhante ao território da Grécia) são desmatados para dar lugar a atividades agropastoris. A construção de infra-estrutura também impacta profundamente a diversidade. E, nesse quesito, a construção de barragens e o isolamento de manchas florestais, fragmentando os ecossistemas e os biomas, têm um papel de destaque.
O estudo conclui que, embora haja uma tendência em degradação da biodiversidade, a adoção de mecanismos de controle pode reverter esta situação em habitats ou espécies específicos. Entre estas iniciativas estão a adoção de áreas protegidas ou programas de prevenção da poluição. Outras medidas vão simplesmente no sentido de aprimorar o uso de recursos. No caso do nitrogênio, um aumento de 20% na eficiência do uso de nitrogênio nos sistemas de produção de cereais poderia reduzir globalmente o nitrogênio reativo em 6%.
A preocupação com a eficiência da agricultura é um dos nortes na busca da contenção da perda da biodiversidade. De acordo com o documento, as ações neste campo ainda contemplam o planejamento mais eficiente na expansão agrícola e a moderação no consumo de alimentos. Neste aspecto, o Panorama da Biodiversidade Global aponta que muitas ações que poderiam ser implantadas para erradicar a pobreza extrema tendem a reduzir a biodiversidade no curto prazo, se medidas de precaução não forem tomadas conjuntamente.
:: Confira o documento Panorama da Biodiversidade Global
www.biodiv.org/GBO2
Fonte: Assessoria de Imprensa COP8/MOP3
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